Parque Mambucaba: Como o bairro deixou de ser zona rural e virou um dos centros comerciais de Angra dos Reis
O Parque Mambucaba é hoje um dos bairros mais importantes de Angra dos Reis. Com mais de 30 mil moradores, o bairro se firmou — ao lado da Grande Japuíba — como um dos principais polos comerciais da cidade, reunindo supermercados, clínicas médicas, pousadas, restaurantes e um comércio cada vez mais diversificado. Porém, nem sempre foi assim: até os anos 1970, famílias caiçaras e pequenos agricultores ocupavam a região, bem longe do movimento que existe hoje.
Onde fica e como o Parque Mambucaba cresceu tanto

O Parque Mambucaba fica a cerca de 50 km do centro de Angra dos Reis e 46 km de Paraty. Além disso, é o maior bairro entre os sete que formam o 4º distrito do município, batizado de Mambucaba. Esse distrito reúne também a Vila Histórica, o Morro Boa Vista, a Praia Brava, a Praia das Goiabas, a Praia Vermelha e o Sertão de Mambucaba.
A posição estratégica, às margens da BR-101, ajudou o bairro a virar um ponto de passagem e de comércio para quem circula pela região. Somam-se a isso as usinas nucleares de Angra, que geram empregos diretos e indiretos e movimentam a economia local, e o polo tecnológico do CEFET, responsável por formar mão de obra qualificada na região.
De área rural a loteamento

Antes da urbanização, apenas a Vila Histórica de Mambucaba — uma das mais antigas do município — tinha uma ocupação mais organizada. O restante ainda era área rural, com caiçaras e agricultores morando na região.
O processo de loteamento começou no início dos anos 1970, quando a família Magalhães de Castro dividiu as terras da Fazenda Itapeçu para dar origem ao Parque Mambucaba. A formalização aconteceu entre 1971 e 1972, seguindo uma regra que exigia distância mínima de 200 metros da BR-101. Ao mesmo tempo, porém, surgiu também um loteamento informal mais próximo da rodovia — o Parque Perequê —, que passou a receber trabalhadores migrantes, muitos vindos do Nordeste, atraídos pelas obras da região.
Já em meados da década de 1970, o poder público aprovou oficialmente o loteamento, prevendo o crescimento populacional puxado por duas grandes obras: a rodovia Rio-Santos e as usinas nucleares. Assim, surgiram cerca de 1.500 lotes e vinte quadras na região, embora parte da área — mais acidentada ou alagadiça — tenha demorado a ser ocupada.
Com o tempo, o nome “Parque Perequê” passou a englobar toda a região, incluindo o Mambucaba. Consequentemente, o crescimento rápido também mudou o perfil do bairro: a especulação imobiliária levou várias famílias nativas a vender suas terras e se mudar para áreas mais afastadas, como o Sertão do Perequê, perto do Parque Nacional da Serra da Bocaina. Dessa forma, a cultura caiçara original da região foi, aos poucos, perdendo espaço.
Os anos difíceis da infraestrutura
Até o começo dos anos 1980, só a Vila Madezatti tinha luz e água regularizadas, fornecidas pela Furnas. Por isso, o restante dos moradores dependia de ligações clandestinas. Em 1978, surgiu a primeira escola do bairro, a Escola Municipal Frei Bernardo — um sinal claro de que a população crescia mais rápido do que os serviços públicos.
Em 1982, a usina Angra I ficou pronta, o que trouxe um novo problema: com o fim das obras, muitos trabalhadores perderam o emprego e não conseguiram se recolocar na região. Diante disso, boa parte passou a morar nos bairros vizinhos às usinas, que também não tinham estrutura para receber tanta gente. Ainda assim, a maioria das casas só recebeu energia elétrica em 1983 — mesmo com uma das maiores obras de energia do país sendo construída ali perto. O turismo, apostado como saída para a economia local, também não decolou como esperado, por falta de investimento.
A comunidade se organiza
Diante dessas dificuldades, os moradores criaram, em 1984, a primeira Associação de Moradores do Parque Mambucaba, para brigar por saneamento, iluminação pública e transporte melhores.
Como é o Parque Mambucaba hoje
Décadas depois, o Parque Mambucaba se tornou um dos bairros mais movimentados de Angra dos Reis, com economia baseada em comércio, turismo e serviços. O projeto Caminhos do Ouro do Vale Mambucaba ajuda a valorizar a história da região e impulsionar o turismo local. Enquanto isso, o comércio — que já era forte antes da pandemia — se reinventou no período pós-pandemia e ampliou a oferta de produtos e serviços.
Grandes lojas e comércio variado: O que o bairro oferece hoje
Atualmente, o bairro conta com agência da Caixa Econômica Federal, loja das Lojas CEM, unidade da Casa & Vídeo e uma casa lotérica, além de pequenos e médios pontos comerciais e supermercados tradicionais. Assim, essa estrutura consolidada atrai consumidores de várias partes da cidade.
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