Irmãos Batista visitam Nuclep em Itaguaí para discutir futuro da usina Angra 3
Os empresários Joesley e Wesley Batista, à frente da Âmbar Energia, estiveram nesta semana nas instalações da Nuclep, em Itaguaí, para uma visita institucional. O encontro chamou atenção porque acontece justamente no momento em que a empresa do grupo J&F passou a integrar o quadro societário da Eletronuclear, responsável pelas usinas nucleares da região de Angra dos Reis.
Por que a visita chama atenção
A Âmbar Energia entrou recentemente no capital da Eletronuclear, adquirindo participação relevante no negócio, ainda que o controle continue nas mãos do governo, por meio da estatal ENBPar. Com esse novo posicionamento, os irmãos Batista têm intensificado contatos com empresas ligadas à cadeia nuclear brasileira — e a Nuclep é uma peça central nesse cenário.
Historicamente, a Nuclep mantém vínculo direto com a Eletronuclear, já tendo fabricado equipamentos usados nas usinas de Angra. Durante a visita, a diretoria da empresa apresentou aos empresários sua estrutura fabril e discutiu as demandas futuras do setor.
O que foi dito
O presidente da Nuclep, Adeilson Telles, destacou a importância da aproximação institucional para ampliar o diálogo com o setor privado e reforçou que a empresa está preparada para atender às necessidades ligadas às usinas de Angra, tanto no presente quanto em projetos futuros — o que inclui, potencialmente, o avanço da retomada de Angra 3, obra que segue parada há décadas.
Uma semana movimentada para a Nuclep
Além de receber os irmãos Batista, a Nuclep teve uma semana de entregas importantes: a empresa despachou novas estacas torpedo para a Petrobras, usadas na ancoragem de plataformas na Bacia de Campos. Somando as entregas de 2026, já são 17 unidades fornecidas neste ano, e 85 desde 2024. A companhia também recebeu uma comitiva da Marinha do Brasil para acompanhar o andamento do Bloco 40 e da Plataforma Nuclear Embarcada (PNE), projetos estratégicos para a defesa nacional.
O contexto por trás do movimento
A entrada da Âmbar Energia na Eletronuclear ocorreu em outubro de 2025, quando a empresa comprou a participação que pertencia à Eletrobras (hoje Axia Energia) por R$ 535 milhões. Com a operação, a Âmbar passou a deter 68% do capital total e 35,3% do capital votante da Eletronuclear, além de assumir garantias e compromissos financeiros ligados a debêntures que somam R$ 2,4 bilhões.
As usinas Angra 1 e Angra 2 já estão em operação, enquanto Angra 3 segue sem previsão definitiva de conclusão. A movimentação dos irmãos Batista no setor nuclear é vista como parte de uma estratégia mais ampla de expansão da Âmbar no mercado de energia, que já reúne dezenas de usinas espalhadas pelo país.









