Ruínas do Lazareto e Aqueduto: Um capítulo da história da Ilha Grande
Na região da Praia Preta, próxima à Vila do Abraão, na Ilha Grande, estão algumas das construções históricas que ajudam a compreender a transformação da ilha ao longo dos séculos. Entre elas estão as ruínas do antigo Lazareto e os restos do aqueduto que abastecia o complexo com água das nascentes da região.
A história do Lazareto está relacionada às políticas sanitárias adotadas pelo Império Brasileiro no século XIX, quando doenças como a cólera representavam uma preocupação para autoridades e cidades portuárias. A localização da Ilha Grande, próxima às rotas marítimas que chegavam ao Rio de Janeiro, fez da região um ponto estratégico para a realização de quarentenas e inspeções sanitárias.
A construção do Lazareto na Ilha Grande

A história do Lazareto começou a ganhar forma durante o reinado de Dom Pedro II. O imperador havia visitado a Ilha Grande em 1863 e, anos depois, a Coroa adquiriu a Fazenda do Holandês, área que abrangia a região da atual Vila do Abraão.
A construção do Lazareto começou em 1884 e foi concluída em 1886. O complexo foi planejado para receber passageiros e embarcações submetidos a procedimentos de quarentena, especialmente diante do risco de entrada de doenças contagiosas no país.
O conjunto possuía diferentes instalações, incluindo pavilhões destinados aos passageiros, enfermaria, farmácia, laboratório, áreas administrativas, cozinha, padaria, armazéns e espaços destinados ao tratamento e à desinfecção de cargas e bagagens. A estrutura também refletia a divisão social existente na época, com acomodações correspondentes às diferentes classes de passageiros.
O Lazareto e as medidas de quarentena
A função principal do Lazareto era realizar a triagem e manter em quarentena pessoas que chegavam ao Brasil em determinadas embarcações. A medida fazia parte das práticas sanitárias utilizadas para tentar evitar que doenças infecciosas fossem introduzidas nos principais centros urbanos.
O complexo também recebia cargas e bagagens que precisavam passar por procedimentos de desinfecção. Dessa forma, o Lazareto fazia parte de uma estrutura maior de controle sanitário relacionada ao movimento marítimo do período.
Registros históricos indicam que, durante seus anos de funcionamento, o Lazareto recebeu milhares de embarcações. Uma referência histórica sobre o local aponta 4.232 embarcações atendidas entre 1886 e 1913, sendo 3.367 submetidas a processos de desinfecção.
O aqueduto que abastecia o Lazareto

Uma das construções mais conhecidas do conjunto é o antigo aqueduto. A estrutura foi construída para levar água das áreas de nascente até o Lazareto, garantindo o abastecimento necessário para o funcionamento do complexo.
O aqueduto está relacionado às obras de ampliação realizadas nos primeiros anos de funcionamento do Lazareto. Estudos históricos apontam que a represa e o aqueduto foram construídos em 1893. A estrutura utilizava pedras e tijolos e fazia parte de um sistema de abastecimento considerado de grande porte para a época.
A existência do aqueduto também mostra que o Lazareto não era apenas um conjunto de alojamentos. O local possuía uma infraestrutura própria, com sistemas de água, instalações sanitárias, áreas de serviço e espaços destinados ao atendimento das pessoas mantidas em quarentena.
Dom Pedro II esteve no Lazareto
Dom Pedro II esteve diretamente ligado à história do local. Depois de sua primeira visita à Ilha Grande, em 1863, o imperador voltou à região em outras ocasiões.
Registros históricos indicam que ele esteve no Lazareto em 1886 e novamente em agosto de 1889. Pouco depois, com a Proclamação da República, Dom Pedro II deixou o Brasil e passou pelo local durante o período que antecedeu seu embarque para o exílio.
Esse episódio conecta a história do Lazareto a um dos momentos mais importantes da história política brasileira: o fim do Império e o início da República.
O fim das atividades do Lazareto
O Lazareto continuou funcionando nas primeiras décadas da República. Com as mudanças nas políticas sanitárias e nos métodos utilizados para controle das doenças, sua função original perdeu importância.
As fontes históricas consultadas indicam que o Lazareto encerrou suas atividades em 1913. A partir daí, o complexo passou por diferentes períodos de utilização e abandono.
A história da área, entretanto, continuaria ligada às instituições de confinamento que marcaram a Ilha Grande durante boa parte do século XX.
A Ilha Grande e sua história prisional
A história do Lazareto deve ser diferenciada da história do presídio de Dois Rios, embora os dois locais estejam relacionados ao desenvolvimento das instituições de confinamento na Ilha Grande.
Em 1903, foi instalada oficialmente a Colônia Correcional de Dois Rios, que posteriormente passou por diferentes transformações e chegou a ser conhecida como Instituto Penal Cândido Mendes. O presídio de Dois Rios tornou-se uma das instituições mais conhecidas da história carcerária brasileira.
O antigo Lazareto também teve utilizações posteriores, mas sua função original estava ligada principalmente à quarentena e ao controle sanitário de passageiros e cargas.
O que restou do antigo complexo

Atualmente, as ruínas próximas à Praia Preta são testemunhos materiais dessa fase da história da Ilha Grande. Parte das antigas construções desapareceu ao longo do tempo, enquanto outras estruturas permanecem integradas à paisagem.
O aqueduto é um dos elementos que ainda podem ser identificados no local. Sua presença ajuda a compreender como funcionava o abastecimento de água do antigo Lazareto e como o complexo dependia de uma infraestrutura própria para atender suas necessidades.
A Prefeitura de Angra dos Reis também relaciona as ruínas do Lazareto e do antigo aqueduto entre os locais que representam a história da Ilha Grande.
As ruínas da Praia Preta
A região da Praia Preta reúne natureza e construções que pertencem a diferentes períodos da história da Ilha Grande. As ruínas do Lazareto e do aqueduto fazem parte desse conjunto histórico próximo à Vila do Abraão.
O acesso às ruínas é feito por trilha a partir da Vila do Abraão, permitindo que visitantes conheçam as estruturas que permaneceram no local. A área está inserida em uma região de grande importância ambiental e turística da Ilha Grande.
Mais do que uma construção isolada, o antigo Lazareto representa uma etapa da formação da infraestrutura sanitária brasileira no final do século XIX. O aqueduto, por sua vez, revela a dimensão das obras necessárias para manter o funcionamento do complexo.
Uma parte da história de Angra dos Reis
As ruínas do Lazareto e o antigo aqueduto ajudam a contar uma parte específica da história de Angra dos Reis e da Ilha Grande. O local passou por diferentes momentos desde o período imperial: primeiro como estação de quarentena, depois em outras funções, enquanto a própria ilha também desenvolvia uma importante história ligada às instituições prisionais.
Hoje, o que permanece na Praia Preta permite observar fisicamente algumas dessas transformações. As paredes, os caminhos e os trechos do antigo sistema de abastecimento de água são elementos que ajudam a compreender como funcionava uma instituição sanitária do século XIX e qual era sua relação com as rotas marítimas que chegavam ao Brasil.
Para quem visita a Ilha Grande, as ruínas do Lazareto e o aqueduto representam, portanto, um dos principais pontos históricos próximos à Vila do Abraão, reunindo arquitetura, engenharia e acontecimentos ligados à formação da região.

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